Comunicações
O diretor teatral como empreendedor: perspectiva histórica e sugestões de formação
Gláucio Machado Santos
2011
Esta comunicação compõe uma reflexão transdisciplinar baseada em aspectos históricos e profissionais da atividade teatral. A discussão abrange a evolução dos meios de produção, em paralelo à consolidação de mercados culturais, e aponta para a necessidade de ampliação desses conhecimentos nos currículos dos bacharelados em Artes Cênicas no Brasil. A observação busca analisar as interseções e as fronteiras entre a criação artística e a produção de espetáculos. Para essa finalidade, a pesquisa faz um levantamento de dados históricos acerca do diretor de teatro na condição de líder de uma empreitada cultural. O relato inclui descrições de períodos antigos, mas dá ênfase às práticas recentes no Brasil. Com isso, o trabalho pretende chamar atenção para novos conteúdos nucleares de formação, com o intuito de ampliar o escopo acadêmico dos estudantes de direção diante dos desafios do mercado teatral brasileiro.
Dissertações
Modos de criação-autogestão teatral vinculados a um projeto em São Luís
Nadia Ethel Basanta Bracco
2022
Esse trabalho de prática como pesquisa artística, propõe criar modos de autogestão, para concretizar a produção do projeto teatral A Vagabunda, revista de uma mulher só, do grupo XAMA Teatro, na cidade de São Luís, Maranhão. Devido à condição de estrangeira da pesquisadora, é necessário reconhecer o contexto no qual o teatro acontece na cidade, e ir ao encontro de conceitos como: cultura popular, colonialidade, artificação e nordeste, que ajudem a tecer relações e entender o modo no qual essas especificidades afetam os processos de criação-gestão dos projetos situados. Também procura analisar algumas consequências decorrentes da pandemia da Covid-19 e os seus impactos na criação-gestão teatral no âmbito das políticas culturais, baseando-se nos documentos, mapeamentos, protestos, entre outros conteúdos gerados pelo Fórum de Artes Cênicas, com o intuito de dialogar com a gestão estatal para propor melhorias na aplicação e transparência da Lei Aldir Blanc. E, principalmente, tem por objetivo documentar, para reconhecer e analisar, a própria prática artivista de criar modos de autogestão, especificamente levantados para a produção de A vagabunda, revista de uma mulher só em tempos pandêmicos, baseados na assunção da vulnerabilidade e na construção de modos de vinculação não hierárquicos e prazerosos, durante o processo.
O que é público não é de vocês: A ATBC e os Modelos de Gestão dos Grupos de Teatro em São Paulo
Stênio Dias Ramos
2019
Esta dissertação trata da formação e consolidação de modelos de gestão de grupos e companhias teatrais da 1ª metade do século XX até o fim da década de 1960 com base em suas relações com entes públicos e privados desde a transição entre os grupos semiprofissionais, amadores e estudantis, passando pelas companhias que mantiveram sedes próprias - como o TBC - e que originaram outras a partir de artistas proeminentes saídos de suas bases - como as de Cacilda Becker, Nydia Lícia-Sergio Cardoso e de Tônia-Celi-Autran - trazendo seus desdobramentos até o momento atual, onde tais relações e seus possíveis alcances parecem ainda pouco estabelecidos, com ações teatrais sendo concretizadas através de uma dependência a leis e políticas tênues que podem ser interrompidas a qualquer momento. O objetivo deste trabalho é colocar as relações do teatro com o poder público em uma perspectiva histórica a partir do chamado \"modelo TBC\", que reconhecidamente suscitou uma nova perspectiva à profissionalização dos grupos de teatro no país ao fazer com que aqueles que saíram dessa companhia teatral pudessem replicar muitas de suas ações benéficas ao teatro - como investir na formação técnica dos atores, trazer novas ideias e pessoas influentes de alta excelência em suas funções no exterior para trabalhar com os profissionais locais - assim como alguns de seus vícios - como o financiamento público baseado principalmente em relações com o poder público ou nas leis de incentivo; o descaso quanto à captação de recursos complementares em outras fontes; o interesse predatório de entes privados sobre o fazer artístico e a cidade; e certa perda de sintonia com os desejos do público espectador e as demandas da classe teatral. Pretende-se assim explicitar o quanto esses mecanismos continuam se perpetuando pelos dias de hoje, fazendo com que o projeto de reabertura do TBC levado pela ATBC (Associação dos Amigos do TBC e do Teatro Brasileiro) possa se tornar uma nova possibilidade de se trabalhar artisticamente a partir de uma perspectiva de sustentabilidade diversa da que segue em voga. Para isso, este trabalho se referenciará a notícias de jornal do período em que o TBC manteve sua companhia ativa (1948-1964), além de trechos dos livros de Silveira (1976), Arruda (2001/2005), Pontes (2011), Lícia (2007). Guzik (1986), Barros de Almeida (1987), entre outros, além de histórias e relatos reunidos na revista Dionysos (1980) sobre o TBC.
Produtora-criadora: experiências narradas na cena contemporânea ludovicense
Alana Araújo
2019
O trabalho em questão tem como objetivo central a investigação da (o) produtora (o) teatral enquanto criadora (o) no contexto do teatro de grupo em São Luís, levando em consideração a forma como os grupos organizam-se para trabalhar sua prática artística pensando os modos de produção. Tais aspectos são abordados tendo como referência as experiências de artistas que exercem a função de produtor dentro de seus grupos, pensar a particularidade dessa função é uma forma de questionar tal processo, atentando para suas implicações como meio, cujo eixo é o próprio artista. A pesquisa partiu da minha prática artística com a produção teatral dentro do Núcleo de Pesquisas Teatrais Rascunho. Parte dos resultados dessa investigação aponta que os artistas se tornam produtores dos seus grupos por necessidade, pois não há recurso para pagar um profissional para tal função, apontam as dificuldades de tal ofício, mas que não deixam de exercê-la por se realizarem artisticamente nessa função.
Teses
Atriz-produtora de um teatro menor latino-americano Crises e potências na intersecção dos processos de gestão, produção e criação
Heloisa Marina
2017
Esta tese está centrada na investigação da relação entre processo de criação artística e os meios de produção e gestão de espetáculos e núcleos teatrais, com o intuito de refletir acerca dos desdobramentos produzidos quando há envolvimento de artistas (principalmente de atrizes e atores) com a esfera administrativa do fazer teatral, além da criativa. Visa, também, refletir a respeito das relações e negociações que um determinado fazer teatral trava com o mercado cultural, ou seja, ponderar a respeito das relações entre processo de criação artística, comercialização, desenvolvimento e distribuição de bens e produtos culturais, discutindo os contornos sociais e políticos de determinadas manifestações teatrais. Tais aspectos são abordados tendo como referência criações contemporâneas latino-americanas, cujas produções não são reconhecidas como pertencentes à lógica da indústria cultural. Para tanto, primeiramente, delimito as categorias de análise utilizadas na pesquisa, chegando ao conceito de teatro menor como o que melhor define o objeto de estudo aqui investigado. Na segunda parte da tese pondero sobre os aspectos econômicos e ideológicos que conformam o modelo de produção teatral no qual atrizes e atores são também produtoras/es e gestoras/es de seus trabalhos. E, por fim, na terceira e última parte da tese me ocupo em traçar uma reflexão crítica sobre os mecanismos econômicos, políticos e formais que permeiam o fazer teatral menor.