Artigos
A arte como profissão e trabalho: Pierre-Michel Menger e a sociologia das artes
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Vera Lúcia Borges
2003​
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O aparecimento do mais recente livro de Pierre-Michel Menger, Portrait de l’artiste en travailleur, constitui uma oportunidade ímpar para reflectirmos sobre os caminhos da sociologia das artes, ancorados nos trabalhos de investigação desse sociólogo. Vinte anos depois da primeira edição de Le paradoxe du musicien, obra que marca o princípio do seu percurso, profundamente ligado à sociologia da criação musical, o autor edifica um importante e incontornável quadro conceptual, no domínio da sociologia das profissões, mercados das artes e trabalho artístico. 1 No princípio dos anos noventa, Pierre- -Michel Menger sucedeu a Raymonde Moulin na direcção do Centro de Sociologia das Artes e, desde então, tem vindo a dedicar-se, em particular, ao estudo dos diferentes métiers do espectáculo, modalidades de carreira dos artistas, mercados de trabalho nas artes, impacto das políticas culturais públicas. 2 Dois dos seus livros mais recentes testemunham, claramente, a organização do seu campo de pesquisas. Em primeiro lugar, destaca-se a análise da arte como profissão: o livro La profession de comédien. Formations, activités et carrières dans la démultiplication de soi (Paris, La Documentation Française, 1997, 455 pp.) é disso um exemplo e representa um domínio de aplicação das démarches teóricas que Pierre-Michel Menger preconiza para as artes do espectáculo. Em segundo lugar, a análise da arte como trabalho: o livro Portrait de l’artiste en travailleur. Métamorphoses du capitalisme (Paris, Seuil, 2002, 96 pp.) apresenta a arte como um modelo fecundo para o estudo das formas contemporâneas de emprego, recomposição dos mercados de trabalho e gestão das carreiras. Em conjunto, estes livros merecem-nos duas breves notas, relevantes para a sua leitura. Por um lado, o autor concebe uma aproximação sociológica das artes atenta à situação do artista, à sua aprendizagem e gestão da incerteza e do risco, às suas condições de profissionalização, produção das obras e acumulação de saberes, no seio das organizações artísticas. Por outro lado, o autor procura nos instrumentos de trabalho de outras disciplinas, como a história da arte e a economia, uma resposta pluridisciplinar para o estudo dos mundos da arte, inovação e originalidade
Como se vive de teatro?​
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Heloisa Marina e Maria Helena Cunha
2022
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Neste artigo nos propomos a refletir sobre formas e estratégias de sustentabilidade de artistas teatrais. A metodologia de pesquisa utilizada foi a realização de entrevista coletiva com representantes de seis grupos de teatro de Belo Horizonte. As categorias teatro de grupo e sustentabilidade são apresentadas a partir de revisão bibliográfica sobre o tema. A pesquisa, em fase preliminar de elaboração, revelou que as fontes de recursos para manutenção das atividades teatrais são constituídas de uma mescla e diversificação que vão de financiamentos públicos (Leis de incentivo e editais), patrocínios e /ou contratações privadas e venda direta ao público (de cursos, oficinas e ingressos de espetáculos) e, em alguns casos, o vínculo com outras atividades profissionais (afins e, por vezes, alheias ao teatro).
Revistas
VIVER DE ARTE : reflexões sobre arte, cultura e economia no Brasil contemporâneo​
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Instituto Dragão do Mar
2020
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Essa publicação reúne 15 artigos de artistas e especialistas das cadeias produtivas da cultura de todo Brasil, resultado da primeira edição do webinário Jornada de Pensamento.